Diretoria vascaína conta com diversos aliados do candidato a presidente Flávio Bolsonaro

Diretoria vascaína conta com diversos aliados do candidato a presidente Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro é vascaíno e nunca escondeu de ninguém, o que conta a favor dele.

E não é, como o pai, de vestir camisas de todos os clubes, o que sempre irritou, ao vê-lo com camisas de rivais, os torcedores do Palmeiras, sua primeira opção, e do Botafogo, para quem passou a torcer quando se mudou para o Rio.

Jair Bolsonaro, aliás, irritava, também, os corintianos e flamenguistas etc, porque torcedor raiz detesta ver quem não torce por seu time com a camisa do clube.

O pecado de Flávio Bolsonaro em relação ao Vasco é de outra ordem, por aparelhar o clube de São Januário com correligionários que em nada contribuem para tirar o Cruz-maltino da crise que o faz sofrer há décadas.

Quem manda no clube hoje é um quarteto formado pelo presidente Pedrinho, com todo direito de ser bolsonarista assumido; Christiano Borges Stockler Campos, Alan Belaciano e Marcelo Dias da Costa Macedo, o Tangerina.

E o que isso tem a ver com ocupação bolsonarista?

Acompanhe.

Christiano Campos e Alan Belaciano atuaram como lobistas de Flávio Bolsonaro em Brasília e do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro — que renunciou ao cargo em 23 de março de 2026, na véspera de julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o tornou inelegível por oito anos, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Christiano entrou para o Conselho de Administração da SAF vascaína com Pedrinho, sem aprovação do Conselho Deliberativo, em operação nada transparente.

Belaciano foi denunciado por irregularidades na recuperação judicial do Vasco, e teve o nome recentemente no centro de apurações da Controladoria-Geral da União (CGU), sobre o destino de uma emenda parlamentar de R$ 4 milhões enviada por Flávio Bolsonaro ao clube carioca.

Tangerina, vice-presidente de Relacionamento do Vasco com a SAF, foi secretário parlamentar no gabinete do então deputado federal bolsonarista Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin no governo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos, condenado no STF a 16 anos de prisão por participar da tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

E não para por aí.

Alexandre Cordeiro Macedo, preposto de Flávio Bolsonaro, foi nomeado vice-presidente de Relações Internacionais do clube, no ano passado, depois de ter presidido o Cade, nomeado por Jair Bolsonaro.

E Sérgio Ferreira de Lima Júnior, ex-marqueteiro de Jair Bolsonaro, surgiu como vice-presidente de marketing do Vasco em abril de 2024.

Há, no mínimo, flagrante desproporção entre a porcentagem de bolsonaristas no eleitorado brasileiro e de membros da diretoria de Pedrinho, acusado, pela oposição, de ter furado a fila para receber R$ 1.245.903,97 da dívida trabalhista que o clube tinha com ele.

Não bastasse a fotografia do momento, paira em São Januário a preocupação com a possível derrota de Flávio Bolsonaro na eleição, o que o deixará sem mandato a partir do ano que vem.

Porque, com todos os seus problemas, o Vasco faturou 628 milhões de reais em 2025, quantia que não deixa de ser atraente para quem não tem mais a loja de chocolates na Barra da Tijuca.

Tudo isso talvez ajude a explicar por que Flávio Bolsonaro tenha sido tão mal recebido ao chegar a São Januário para ver a derrota para o Santos por 3 a 0.

Fonte: Coluna Juca Kfouri – UOL

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