Período sem jogos foi marcado por crise política, intervenção na SAF, troca de treinador e mudanças no elenco do Vasco

Demissão de Renato Gaúcho, afastamento e retorno de Pedrinho, intervenção judicial na SAF, crise política, novo treinador e mudanças no elenco. O Vasco viveu mais de 40 dias de turbulência sem sequer entrar em campo.

Se você se desligou do noticiário do Vasco durante a Copa do Mundo e está perdido, não tem problema. O ge explica tudo o que aconteceu dentro e fora dos gramados desde a última vez que a equipe entrou em campo, há mais de 40 dias.

Foram semanas de um noticiário agitado que afetou o futebol vascaíno, mesmo sem a equipe entrar em campo durante a pausa para o Mundial. Nesta quinta-feira, o Vasco volta à disputa do Campeonato Brasileiro, contra o Vitória, em Salvador. Veja a linha do tempo abaixo.

A linha do tempo dos últimos dias no Vasco

31/05 a 18/06 – Zona de rebaixamento e saída de Renato Gaúcho

O Vasco tinha como objetivo chegar à pausa para a Copa do Mundo em situação confortável no Campeonato Brasileiro. Não foi o que aconteceu. O time até havia se recuperado no início da passagem de Renato Gaúcho, mas despencou de rendimento. A derrota para o Atlético-MG em São Januário fez o clube ir para a pausa da Copa do Mundo no Z-4.

Perto da volta das férias dos jogadores, Renato foi demitido, em decisão que levou em conta o clima entre o elenco e a comissão técnica. Entendia-se que o treinador havia exposto demais os jogadores com declarações em coletivas. Havia discordâncias também sobre metodologia de treinos e decisões durante as partidas.

22/06 – Reapresentação e crise na SAF

Com o fim das férias de funcionários e jogadores, o Vasco tinha um plano a ser executado: contratar um treinador e reforçar o elenco. O clube avançou nas negociações por Nelson Deossa e intensificou a busca por um treinador, depois de sondagens frustradas com Marcelo Gallardo, Vasco Matos e outros nomes.

No entanto, no dia 22 de junho, a Justiça aceitou uma liminar da 777 que afastou Pedrinho do comando da SAF do Vasco. A decisão da juíza foi nomear a interventora Samantha Longo, ex-advogada da CBF. Isso gerou uma crise institucional no clube e atrapalhou uma série de movimentos do futebol, desde a chegada de reforços até a venda da SAF para Marcos Lamacchia.

Tudo isso aconteceu em meio a um racha político no grupo da Sempre Vasco, chapa de Pedrinho. A diretoria exonerou quatro membros da direção administrativa do CRVG. Em entrevista, o presidente disse que sombras sabotaram o clube no período de negociação com Lamacchia a favor da 777.

23/06 a 01/07 – Declarações públicas pela primeira vez sobre a venda

O afastamento de Pedrinho levou Marcos Lamacchia e José Roberto Lamacchia a se manifestarem publicamente pela primeira vez desde o início das negociações. Os investidores afirmaram que as conversas foram iniciadas ainda em 2024 e que já havia um acordo para a compra do futebol vascaíno.

No entanto, ambos condicionaram o investimento à volta de Pedrinho ao poder da SAF do Vasco. Os investidores ainda acusaram membros expulsos da gestão por Pedrinho de atuarem contra a negociação e a favor da 777. Torcedores protestaram presencialmente e na internet, favoráveis à venda do futebol vascaíno e ao retorno de Pedrinho.

30/06 a 02/07 – Novelas frustradas por novo técnico

Enquanto todo o caos jurídico se mantinha em torno da SAF do Vasco, o clube precisava agir para não deixar o extracampo afetar o planejamento do futebol. Mas não foi possível. Admar Lopes passou a lidar com a interventora jurídica, que não tinha experiência em administração de clubes de futebol, para resolver as demandas do campo. Pela instabilidade, o Vasco não conseguiu firmar as contratações dos técnicos Franclim Carvalho, do Botafogo, e depois de Fernando Seabra, do Coritiba.

E a instabilidade apontada pelos treinadores se confirmou logo depois. A interventora Samantha Longo renunciou ao cargo e alegou motivos de segurança pessoal. A juíza do processo declarou suspeição e deixou o caso. O Vasco não tinha treinador e comandante na SAF. Até o processo que instaurou o caos jurídico seria conduzido por outro magistrado de forma provisória.

01/07 a 10/07 – Mais manifestações na Justiça e Pedrinho de volta

No dia 1º de julho, o Vasco pediu a revogação da liminar na Justiça e alegou que a medida causou uma paralisia institucional no futebol vascaíno. O clube citou até mesmo que tinha uma negociação em curso com o atacante Gabriel Pec, mas que não conseguiu dar andamento às conversas. O atacante fechou com o Cruzeiro.

Um grupo de 106 conselheiros publicou manifesto em apoio a Pedrinho e em defesa da venda da SAF. Mas a Justiça recusou o pedido de reconsideração do Vasco e nomeou um novo interventor: Athos de Andrade — que durou muito pouco tempo no cargo.

Dois dias depois, o desembargador César Cury derrubou a liminar que afastou Pedrinho, encerrou a intervenção judicial e autorizou o retorno do presidente do Vasco ao futebol do clube. Pedrinho publicou uma carta aos torcedores vascaínos, em que agradeceu à família Lamacchia e disse que os possíveis investidores souberam identificar quem queria o bem do clube e quem se escondia por trás da 777 para ir contra a venda.

— Nossa gratidão à Família Lamacchia, que cuidou do Vasco e soube separar quem quer o bem do clube de quem se diz ‘vascaíno’, mas manipula e se esconde atrás da 777 para fazer mal ao Vasco —afirmou.

Com Pedrinho de volta ao comando da SAF, o Vasco retomou as negociações por reforços. O clube tem interesse na chegada de um zagueiro, um meia, um atacante de lado e um centroavante.

Quem saiu? Quem chegou?

A maior mudança foi no comando técnico. O Vasco anunciou na última sexta-feira a contratação do treinador Pedro Emanuel, português de 51 anos, que fez carreira no futebol do Oriente Médio nas últimas sete temporadas. Já comandou o primeiro treinamento e será apresentado em entrevista coletiva nesta segunda-feira. A diretoria apostou no nome pelo perfil de liderança e pela metodologia de trabalho mais moderna.

Pedro Emanuel desembarcou no Rio de Janeiro comandar o Vasco

No elenco, Matheus França e Hugo Moura deixaram o clube. O meia estava emprestado até o meio do ano, cedido pelo Crystal Palace, da Inglaterra, e o Vasco não teve interesse em manter o jogador. O volante recebeu uma proposta do Al-Fayha, da Arábia Saudita, e já se despediu do elenco.

Por enquanto, o único reforço do Vasco é o lateral-esquerdo Paulinho. O clube havia acertado no início do ano a contratação do jogador do América-MG, que havia assinado um pré-contrato com a equipe carioca. Ele chega a São Januário para compor elenco.

E agora?

Com a crise jurídica amenizada e Pedro Emanuel no comando, a diretoria tenta acelerar as negociações por reforços e reduzir os danos provocados pelas semanas de indefinição administrativa. A venda da SAF para Marcos Lamacchia também é ponto importante. O Vasco retorna na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e inicia também a disputa do mata-mata da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil.

O primeiro compromisso do Vasco é pelo Campeonato Brasileiro. A equipe de Pedro Emanuel enfrentará o Vitória, na quinta-feira, às 19h30, em Salvador. Na próxima quarta-feira, o clube enfrenta o Independiente Medellín, na Colômbia, pela ida da segunda fase da Sul-Americana. Antes do jogo de volta, no dia 29 de julho, o Vasco ainda enfrenta Mirassol e Chapecoense pelo Brasileirão.

Os confrontos do mata-mata da Copa do Brasil se iniciam em agosto. O Vasco enfrentará o Fluminense nos dias 1º e 5 de agosto, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, em reedição da semifinal da competição no ano passado.

Fonte: ge

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