Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Renato Gaúcho após Urubu 2 x 2 Vasco
— Em muitos jogos nós cedemos a vitória, empatamos e foi com sabor de derrota. Hoje, é sabor de vitória. Não que meu time tenha jogado mal, dei parabéns para o meu time pelo que fizeram. Mas pelas circunstâncias, você estar perdendo por 2 a 0, ter que se expor deixando espaços para a qualidade dos jogadores do Flamengo é meio que suicídio. Mas mesmo assim, eles tiveram cabeça, personalidade, botaram a bola no chão – e completou:
— O primeiro gol foi bastante treinado. Sabíamos que o Flamengo está tomando alguns gols naquele setor. Hoje, não batemos escanteio curto, botamos a bola na área justamente onde o Robert fez o gol. Sabíamos que podíamos tirar proveito e tiramos. E depois na bola aérea de novo com o Cuesta. Falo para eles, coloquem a bola na área que lá tudo acontece. Cuesta colocou a bola na área e o Hugo entrou e fez o gol de empate. Saímos com a alma lavada daqui sim – disse o treinador na coletiva.
Renato comemora empate com o Flamengo: “Sabor de vitória”
O técnico abriu a coletiva elogiando arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, que marcou um pênalti para o Flamengo e revisou o gol de empate do Vasco no VAR. Renato Gaúcho também justificou a escolha de Brenner como titular no ataque.
— Quero fazer um elogio ao árbitro. Não é fácil apitar um clássico desse tamanho. Ele apitou muito bem, tanto ele quanto os assistentes. Não errou em nada. A gente fica satisfeito. Quando eles erram, a gente critica, mas quando acertam a gente tem que elogiar – disse antes de continuar:
— É uma opção do treinador. Tem jogadores no DM, tem jogadores que não estavam 100%. Eu tenho informações, vocês não tem. Eu sei quantos minutos que eles podem jogar. Como foi o caso do Gómez hoje, só usei ele na metade do segundo tempo, porque a gente precisava dele. Ele vem de uma lesão grave na perna, não treinou praticamente a semana toda. Às vezes vocês podem ficar surpresos com as escolhas, mas eu tenho informações e sou pago para pensar e fazer o melhor para o grupo.
O Vasco volta a campo pelo Brasileirão no próximo domingo, contra o Athletico, em São Januário. Na quarta, há o compromisso pela fase de grupos da Sul-Americana contra o Audax Italiano, no Chile.
Outros tópicos da coletiva
Postura do Vasco e qualidade do Flamengo
– Importante sempre pontuar. Falo para eles terem confiança, personalidade, independente do adversário. Ali dentro é entrega, é o que quero ver. Hoje mais vez é uma entrega grande. Não é qualquer time que enfrenta o Flamengo no Maracanã, sai perdendo por dois gols e chega ao empate. O time do Flamengo sempre briga pelo título por isso, a qualidade deles é muito grande e diferenciada. Praticamente tem dois times. Falei para os nossos jogadores vamos pelo menos competir. A qualidade deles, sem dúvida, é melhor que a nossa, mas vale muito a vontade em campo. Eu vi a entrega do meu time e o reconhecimento da torcida. Isso me deixa feliz porque temos uma sequência de jogos pela frente. Quando A, B ou C se merece oportunidade…Eu tenho um grupo. Não importa se vai começar. Tenho movimentado o grupo, dado oportunidade, tento fazer mudanças para ter o time descansado. Tem dado certo. Tive uma informação no vestiário. Dos 16 pontos (com Renato), 11 o Vasco correu atrás para ganhar. Prova a música que o Vasco é o time da virada. O time sabe reagir, tem essa entrega. É difícil enfrentar o Flamengo e mesmo assim estávamos bem o tempo todo. Soubemos reagir mesmo com 2 a 0 no placar. Não é fácil. A equipe não se entregou, teve atitude e buscou o empate. Como ali atrás cedemos empate no final de alguns jogos para alguns adversários, hoje posso dizer que não ganhamos um ponto, ganhamos três pontos por tudo que aconteceu. Não que o Flamengo esteve melhor que a gente, os números provam o contrário. O Vasco bateu de frente com o Flamengo.
Jogadores como Spinelli e Adson podem ficar desmotivados com o banco?
Renato cita questões físicas e justifica escalação do Vasco: “Tenho as informações”
– Desmotivado? Os caras usando uma camisa desse peso? Com uma torcida como o Vasco? Com o salário que eles ganham? Com a mordomia toda que eles têm, desprestigiados? Se o jogador estiver desprestigiado ele não pode estar no grupo do Vasco. Ele tem que elogiar, tem que estar feliz por estar no grupo do Vasco. Não tem cláusula no contrato de que o jogador tem que ser titular. Ele (Spinelli) fez dois gols contra o Paysandu, não jogou contra o Corinthians, aí pelas circunstâncias, vai muito pelo adversário, pelo que preciso. Ele jogou 90 minutos contra o Olímpia. Como ele jogou, o Brenner joga, o David. Eu rodo o grupo de acordo com o que preciso. Tem dado certo. Não importa se vai começar a próxima partida. Ele, se ele joga mal contra o Paysandu, não faz nenhum gol, nunca mais vai jogar? Não é por aí. Tem que ter entrega, atitude em campo. Tem milhões de jogadores que gostariam de estar no lugar deles no Vasco. Eles têm que valorizar isso. Mas nesse ponto eu não tenho queixa. Eles têm se entregado nos treinamentos. E quando preciso do jogador, eles têm dado conta.
Atuação do Hugo Moura
– O Hugo é o xodó do grupo. Tem jogado bastante comigo. O momento da equipe quando chego aqui não era muito bom, alguns jogadores estavam sendo vaiados. Importante é que ele nunca deixou de trabalhar. Tem minha confiança e dos companheiros. Hoje foi importante para ele ter novamente a confiança do nosso torcedor fez um gol importantíssimo. Isso é bom para ele. Dá confiança não só do torcedor, mas para ele mesmo. Quando o jogador está sendo criticado jamais vou deixar de lado. Costumo conversar bastante e apoiar. No momento que ele entrou, sempre que entra procura se entregar. Fez um gol bonito. É um jogador da bola aérea defensiva e ofensiva. Foi uma partida muito boa.
Jogadores nervosos no início
– Falei para terem tranquilidade. Falei que o Flamengo viria para cima principalmente no início. É uma qualidade muito grande. Mas nós tínhamos que marcar. Falei que cada jogador do Flamengo sempre vai ter no mínimo de um coringa na manga. Então era para ficarem espertos porque eles não iriam fazer o be-á-bá não. Eles sempre vão inventar porque têm qualidade. Infelizmente falhamos no primeiro gol. O Flamengo fez o gol mas meu time não desistiu de brigar em momento algum. Depois tivemos o pênalti e mesmo assim a equipe não se entregou e não é fácil correr atrás.
Avaliação do trabalho
Renato elogia postura do Vasco no clássico: “Vi a entrega do time”
– Ouço tanta coisa ali fora, mas procuro exaltar meu grupo. O resultado depende dos jogadores. Converso, lapido, ensino. Procuro treinar a parte técnica e tática. Mas quem entra em campo são eles. Eles precisam dar resposta. A minha parte eu faço. Mas quem entra em campo são os jogadores e eles têm desempenhado bem nos nossos treinamentos, com nossos pedidos. Não temos um time perfeito. Quando cheguei aqui, meus amigos me criticaram: “não vai, não vai, que o grupo do Vasco é muito ruim, não vai, que você vai se ferrar, vai brigar, de repente vai cair para a segunda divisão”. Falei para eles o que estou falando para vocês: “eu gosto de desafios”. Importante é que o jogador acredite nele. Eles precisam ter confiança. Confiança que dou para eles para jogarem. Eu assumo os riscos, só quero que joguem livres, leves e soltos, com responsabilidade. O Vasco não ganhou todos os pontos, principalmente na situação que se encontrava, à toa. Isso é trabalho de equipe. O mais importante é o que passo, eles entram em campo e desempenham. Se acreditarem ainda mais neles, vamos subir na tabela. O que não pode é acharem que não vai dar, vai dar sim. Vamos brigar. O que não pode é desanimar. Não se entregaram em momento nenhum, estávamos perdendo por 2 a 0 com um time que vai brigar pelo título. Se não perderam para ninguém no G-4 têm que acreditar mais neles. Não é qualquer time no meio da tabela, pegamos todos os times praticamente do G-4 e não perdemos.
Fonte: ge
