O Vasco incorporou o modo “time da virada” com Renato Gaúcho. Em três jogos, são duas vitórias em um empate no Brasileirão. E em em duas partidas, a equipe sustentou viradas que mudaram o ambiente e tiraram o time da zona de rebaixamento.
Deu certo contra Palmeiras e Fluminense. E mesmo no empate com o Cruzeiro, o Vasco chegou a estar em vantagem, também virando o placar momentaneamente no segundo tempo.
Mas qual tem sido a receita de Renato Gaúcho neste início da passagem atual pela Colina? O combo passa por:
- Decisões táticas
- Substituições certeiras
- Efeito anímico no time
De cara, há uma injeção de ânimo inerente à mudança, por si só. Saiu Fernando Diniz, houve um hiato com o interino Bruno Lazaroni e aí apareceu Renato.
“Com a troca de treinador, animicamente a equipe muda um pouco. Não tem a ver se um treinador é melhor ou pior. Felizmente, temos conseguido dar a volta nos resultados que inicialmente temos começado mal”, contou o meia-atacante Nuno Moreira.
Houve uma mudança tática e de comportamento do time, na visão dos jogadores. Além da troca do esquema tático – com o Vasco atuando com três volantes -, a ideia é ser mais conservador para evitar que o time fique tão exposto.
Mas há um paradoxo. As viradas aparecem quando o time se lança mais ao ataque, com substituições que envolvem meias e jogadores de lado de campo.
O clamor da torcida
Nas viradas, Renato tem sentido o som da arquibancada. Quem ganha uma vaia direcionada nem volta depois do intervalo. Já aconteceu com Lucas Piton, na estreia, e com Hugo Moura, diante do Fluminense.
Curiosamente, quem entrou no lugar de Piton foi Cuiabano, autor do gol da vitória sobre o Palmeiras. Quando Hugo Moura saiu, Rojas entrou. E veio dos pés do meia a assistência da virada.
“O Hugo foi parecido com a situação do Piton. No momento que voltasse para o segundo tempo poderia ser vaiado e de repente prejudicar os companheiros. Da mesma forma que poupei o Piton diante do Palmeiras, aconteceu com ele. Mas preciso deles todos”, explicou o treinador.
Outra troca que premiou a escolha do Renato foi a de Spinelli no lugar de David. O argentino fez o gol de empate diante do Flu.
A calma no intervalo
Os intervalos dos jogos têm sido cruciais. Quando as coisas dão errado, o treinador adota uma postura considerada serena no vestiário. E isso tem chamado a atenção dos jogadores.
“Ele é um cara calmo, tenta transmitir o que ele sabe e também dá espaço para nós termos palavra e falarmos uns com os outros, sabemos o que está acontecendo para tentar melhorar. Conseguimos falar uns com os outros. Cada um cobra um ao outro, de forma positiva, e ele também. Acho que esse é o segredo”, apontou Nuno Moreira.
É preciso diferenciar o cenário dos jogos recentes do Vasco. Contra o Palmeiras, o time estava melhor, mas tomou um gol no fim do primeiro tempo em um lance individual de Flaco López. Contra Cruzeiro e Fluminense, de fato estava pior que os adversários e precisava de ajustes técnicos e táticos para evoluir.
A receita tem dado certo até aqui, mas Renato mesmo aponta o risco de viver essa situação com frequência.
“Não queremos ficar sofrendo, queremos sempre sair na frente e não sofrer tanto. Nem sempre vamos conseguir virar os jogos. ”
Renato Gaúcho, técnico do Vasco
Fonte: UOL
